Depois do monumento

Laercio Redondo em colaboração com Birger Lipinski
Exposição individual Galleria Silvia Cintra+Box4,
Rio de Janeiro, Brasil, 2026

Vista geral da exposição
Depois do monumento 8, díptico. Silk-screen sobre placa cerâmica
Depois do monumento 12. Silk-screen sobre placa cerâmica
Depois do monumento 4, tríptico. Silk-screen sobre placa cerâmica
Vista geral da exposição
Depois do monumento 13, 14 e 15. Silk-screen sobre placa cerâmica
Depois do monumento, Natureza morta 1 e 3. Látex, mármore, alumínio, bolas de seda, penas e madeira
Vista geral da exposição
Vista geral da exposição
Vista geral da exposição

Peças de porcelanato com imagens estranhas à sua própria matéria e função, arranjos com frutas presos às paredes e uma projeção em que duas bolas se batem silenciosamente em slow motion compõem o espaço criado por Laercio Redondo para Depois do Monumento. Ao nos aproximarmos das placas, vemos fragmentos de estatuária greco-romana — membros de corpos masculinos nus, olhos, genitais, pernas, braços e torsos — aquilo que foi entendido como modelo de beleza e virtude transformado em ruína, ou no imaginário que a cultura ocidental construiu dessa visualidade.

Os arranjos tridimensionais fazem alusão à natureza-morta, gênero recorrente na pintura, mas menos presente na escultura. Aqui, esculturas em fragmentos são plasmadas bidimensionalmente, enquanto as frutas, na lógica da tradição, retornam à tridimensionalidade. Outro estranhamento diz respeito à materialidade: fragmentos originalmente em mármore são impressos em placas vulgares de porcelanato, enquanto frutas em mármore se combinam com tecidos de látex industrial, acentuando um aspecto kitsch.

Essa justaposição de materiais e referências aponta para a persistência e a vulgarização dessa visualidade, hoje presente em arquiteturas corporativas, espaços públicos, condomínios e cenografias de consumo. A cultura visual greco-romana, associada a ideais de virilidade e beleza, atravessa a história — do classicismo às suas apropriações modernas e pós-modernas — e ressurge aqui fragmentada, deslocada e reconfigurada.

Entre o clássico, o kitsch e o queer, Depois do Monumento constitui um retrato crítico das sobrevivências do classicismo e de suas associações à virilidade e à erotização desse imaginário na contemporaneidade.

Ana Magalhães (excerto do texto curatorial original “Expiar o monumento”)

Foto: Pedro Tressi